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O
local escolhido para a construção do parque estava sendo
disputado entre o município e o Governo do Estado de Pernambuco
que pretendia construir, nesse mesmo espaço, um viaduto. Para ela,
a construção de um viaduto era e continua sendo importante
e necessária para a cidade, mas o local escolhido mostrava-se inadequado.
Reuniões foram realizadas para discutir esse impasse entre o município
e o Governo do Estado que resultaram num acordo: o Governo foi convencido
de que aquele não era o melhor local para a construção
de um viaduto. “Daí, nós começamos a construir
o parque”, afirma Carminha Lins.
Uma das ações iniciais empreendidas pela prefeitura foi
a drenagem do terreno - que por ser privado (pertence ä família
Amazonas McDowell), nunca tinha passado por um tratamento semelhante.
Nas épocas de chuvas, a entrada da cidade se transformava num rio:
a falta de drenagem provocava inundações na área
e a população que residia no bairro da INAB, que é
próximo à entrada da cidade, era a que mais sofria.

De
acordo com Luciano Ferreira, “já houve até enchente:
em 1974, a água chegou a altura de mais ou menos 1,40m. Hoje, você
não vê mais isso; pode chover a vontade porque a drenagem
foi bem feita e graças à construção do parque”
relembra ele com um ar de alívio.
À essa obra estrutural seguiu-se a construção do
parque que conta atualmente com pista de cooper, parquinho infantil, área
reservada para exercícios físicos e um prédio que
abriga a administração do parque. A recém criada
bandeira de Camaragibe também se encontra hasteada no local. Com
o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que freqüentam
o espaço, houve a preocupação de instalar uma área
verde que ocupasse um espaço considerável com jardinamento,
gramado e gradil de árvores. Possivelmente são esses elementos
verdes que proporcionam ao visitante um ar mais puro e um ambiente, embora
movimentado pelo vai-e-vem das pessoas que circulam no parque, porém
mais relaxante.

O custo da construção do parque foi
dividido entre o Governo do Estado de Pernambuco, que entrou com 30% do
valor, e a prefeitura de Camaragibe que arcou com os 70% restantes. Já
as obras estruturais, como a drenagem do terreno por exemplo, foram financiadas
integralmente pelo município. Outra parceria firmada na construção
do parque foi com a Philips do Brasil que doou 70% da iluminação
do parque. “Nós tentamos dar um caráter avançado
a esse equipamento visto que construir um parque desse porte e continuar
com uma infra-estrutura do passado não iria atender a demanda e
nem alcançar os objetivos que pretendíamos”, esclarece
Carminha Lins.

Além da idealização da estrutura do parque, houve
por parte da Fundação de Cultura, a preocupação
de educar a população, após o parque ter sido inaugurado,
para que usufruísse desse espaço público de forma
correta. “Estamos agora com um projeto de educação
para a utilização do parque, visto que a população
não percebe que aquele espaço é de todos e por isso,
depredam, jogam lixo, quebram plantas”, explica Carminha Lins. Pensando
nisso, a Fundação providenciou a contratação
de atores e atrizes que estão diariamente no parque para orientar
a população sobre as melhores formas de utilização
das instalações do espaço, assim como assuntos relacionados
à segurança, preservação ambiental e respeito
ao próximo. De acordo com ela, a preservação desse
espaço não depende apenas do poder público, mas também
da população. Outra ação educativa foi a instalação
de uma placa na entrada do parque, onde estão enumeradas recomendações
e proibições para os usuários, tendo como objetivo
a saúde e a segurança de quem freqüenta o lugar.

Localizado entre a BR-408 e a Avenida Belmiro Correa, o Parque Memorial Camaragibe ocupa a área que foi cedida, em regime de comodato durante dez anos, a Prefeitura de Camaragibe pela família Amazonas McDowell. Por se tratar de um comodato, e não de uma doação de terreno, a família McDowell fez algumas exigências para a construção do parque: “A nossa intenção era que esse parque servisse como uma área para cooper, caminhadas, etc., mas exigimos que ele não abrigasse eventos com bandas ou coisas barulhentas porque é muito em cima da casa e incomodaria as pessoas que moram no imóvel”, afirma Maria Anita McDowell dos Santos, 74 anos, uma dos onze filhos da proprietária atual do Engenho Camaragibe Maria Anita Amazonas McDowell.

Segundo Maria Anita McDowell, embora tenha sido de iniciativa da prefeitura
do município, a construção do parque veio ao encontro
da vontade da família de ter essa área utilizada. Para ela,
o parque valorizou o imóvel do Engenho Camaragibe, visto que a
área estava anteriormente tomada pelo mato e por bichos. Opinião
semelhante possui Carminha Lins que vê no parque um motivo para
chamar a atenção da população para a Casa.
“Antes do parque, quando a pessoa chegava na cidade, só conseguia
ver o telhado da Casa ou, quando passava pela lateral, conseguia ver um
pedacinho; hoje em dia, você tem um plano da Casa como um todo”,
explica Carminha.
O Parque Memorial Camaragibe está localizado numa área que foi tombada pela FUNDARPE - Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - juntamente com a casa-grande. Devido a isso, o projeto de sua construção teve que passar pela análise dos técnicos dessa Fundação. “Quando nós tomamos conhecimento, o projeto de construção do parque já fora iniciado. Então, nós pedimos à Prefeitura uma cópia do projeto para análise. Após isso, elaboramos um parecer favorável à construção e encaminhamos ao Conselho de Cultura que também se posicionou favorável”, detalha Rosa Virgínia de Sá Bonfim, gerente do Departamento de Preservação e Tombamento da FUNDARPE.
